Mostrando postagens com marcador dublagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dublagem. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Chainsaw Man, Guilherme Briggs e o fandom: o futuro não é nem um pouco "pica"

Chainsaw Man é um dos atuais sucessos em mangá e, mais recentemente, em anime. Entretanto, surgiu uma treta tão imbecil que demonstra como o problema de fandom (que já tratei algumas vezes) está só crescendo nos últimos anos. Pois nesse caso, o problema está no fato de que os fãs querem decidir algo que cabe a diversos outros grupos. E no final se usam de métodos nem um pouco ortodoxo. Para falar a verdade, eles chegaram até ser violentos. Contra um dublador famoso: Guilherme Briggs.
Bem, vamos primeiro a trama do anime.
Chainsaw Man é uma história onde demônios existem. Eles fazem pactos, muitas vezes, com humanos. O protagonista, Denji, faz um pacto com uma criatura sem querer desses diabos. O detalhe é que ele seria o Demônio da Motosserra, que é um dos mais perigosos deles. Já que ele seria o único que seria poderoso o bastante para fazer alguns desses seres malignos morrerem definitivamente. Uma história que está ganhando muita fama por ser BEM violento. Só que é "meio-shonen", o que faz os jovens amarem como uma obra-prima. O que não é. É bom sim, mas não é essa coisa toda.
Independente disso, temos que focar no problema. A "pica".
Uma das coisas que os demônios fazem são pactos. Assim, concedem habilidades ou benefícios aos humanos que aceitam esses tratos. E um deles, que é um caçador de demônios chamado Aki, precisa fazer novo acordo com o Demônio do Futuro. É aqui que começa o problema.
Na tradução mais fiel, o Demônio do Futuro, diz algo como "O futuro é ótimo". Mas em um grupo de tradutores, não oficiais, os caras colocaram uma tradução mais "livre", com "O futuro é pica". O mangá, assim como o anime, é violento, mas os japoneses tem um certo controle meio bizarro sobre determinadas coisas em seu país. Note que estamos falando do Japão, que permite uma obra como Chainsaw Man ser publicada (por ser ilustração, creio eu), mas não permite um game como Callisto Protocol.
Enfim, a Crunchyroll quis a dublagem para o nosso país, como de costume. Um dos nomes chamado para isso era o de Guilherme Briggs. Só a voz de diversos queridos personagens como Superman (dos desenhos de Bruce Timm, Henry Cavill, entre outras), Buzz Lightyear (ao menos dos filmes de Toy Story), Rei Julian (de Madagascar), Han Solo (da última versão de dublagem), Marvin o Marciano (Looney Tunes), Mickey Mouse, Optimus Prime (a partir do primeiro filme de Transformers), Cosmo (de Os Padrinhos Mágicos), Freakzoyd, Samurai Jack, Ele (a primeira versão das Meninas Super-Poderosas), Eek The Cat, entre tantos outros. Então ele tem muita noção do mundo das vozes para animes, filmes, séries e desenhos animados.
Então, com a dublagem decidida, Briggs preferiu não colocar o "pica". Primeiro, eu creio que deve ter sido uma decisão, não apenas de Guilherme, mas dos empresários japoneses ou da própria Crunchyroll. Como mostrei, no Japão, eles podem ver sangue e cabeças voando no anime, mas não deixam pelos pubianos em cenas de sexo em pornôs orientais. Segundo, não é necessário só por conta que um grupo traduziu desse modo, seguir esse parâmetro. Só ver como os fãs podem ser indecisos, pois não curtiram a primeira versão do Sonic (para o filme da Paramount), só que o amaram no filme de Tico & Teco. Falem o que quiserem, mas é cúmulo dessas pessoas com relação a hipocrisia.
O terceiro e último é que esse grupo de tradutores ficou conhecido por fazer piadas preconceituosas. Em determinado momento da obra, traduzido por eles, ao invés de fazerem uma alusão a uma pessoa "mão de vaca", eles colocam a palavra "judeu". Três vezes. Relacionar a obra a uma piada assim, poderia causar problemas para o anime. No final, Briggs não colocou essa palavra na tradução.
Primeiro ele foi criticado pelo fandom. Mas depois ele foi ameaçado. O que fez com que ele saísse da dublagem.
Minha opinião: Briggs é um cara introspectivo, mas extremamente gentil, bondoso e compreensivo. E acima de tudo racional. Se ele decidiu isso, foi por ser necessário. O fandom ignora as decisões empresariais. As necessidades deles vem primeiro, mas cabe a pessoas como Guilherme, trazer um bom tom para as obras audio-visuais. A galera tem que parar de querer impor sua vontade a pessoas que tem anos na área. Já que isso só prejudica os próprios fãs, visto que nem todos querem assistir animes legendados.
Então, os fãs só prejudicam a si mesmos. E por isso, o futuro não é pica.


terça-feira, 22 de setembro de 2020

Os direitos dos dubladores - Entenda


Muitas pessoas ainda não entenderam alguns fatores dos direitos conexos. Especialmente depois da treta entre Elcio Sodré e a Sato Company. Então vamos lá:
Usarei um exemplo que o dublador Wendel Bezerra fez em seu canal no Youtube.  Digamos que a Globo faz uma novela. A emissora vende essa novela. Mas antes paga todos os atores e pessoas envolvidas com ela. Ok. Tudo bem. Pois isso está previsto no contrato. 
Mas qualquer exibição extra, terá que pagar o que foi estipulado no contrato. Obviamente que não vai ser o valor total, que fique claro. Mas uma porcentagem por seus trabalhos, afinal, ele não fará uma nova atuação. Pois eles estão comercializando o trabalho do artista envolvido naquela novela.
Tanto que por exemplo, a venda de um produto que seja feita de forma lícita de uma série, anime ou filme, parte do dinheiro vai para o criador. Pois, a pessoa que comercializa aquele produto ganha dinheiro em cima do trabalho artístico de um ilustrador ou escrito, no caso.
O mesmo acontece com os dubladores. Notem como amamos Yuyu Hakushô, não só por conta da boa história, mas pela dublagem do estúdio carioca que soltava "Ah eu sou Toguro!" ou "Que se dane o mundo, que não me chamo Raimundo!" E normalmente, os dubladores só ganhavam pelo trabalho que tinham feito antes. Demorou anos para que eles ganhassem esses direitos inerentes a eles. Sendo que em outros países isso acontece faz tempo.
Isso explica porque alguns filmes mudam a dublagem, quando contratos de vendas acabam com emissoras ou passasse certo tempo. E só depois de muito tempo, os dubladores começaram a ganhar esse direito aqui no Brasil, sendo que outros países, isso já era comum.
Então, até onde vimos, Elcio Sodré está certo. Ele que fez as vozes do Shiryu de Dragão, Hatake Kakashi e Isamu Minami.

domingo, 13 de setembro de 2020

O problema com Black Kamen Rider

No dia 06 de Setembro de 2020, era para ser exibido no canal aberto Band, as 12:00 hrs, o terceiro episódio de Black Kamen Rider. Mas isso não aconteceu. O motivo. Bem vejamos:

Foi anunciada ontem (3) através das redes sociais a suspensão da exibição de Kamen Rider Black na Band. O tokusatsu (forma como são chamadas as séries de heróis japoneses interpretados por atores de carne e osso) era uma das atrações bloco dominical da emissora, que se viu obrigada a procurar uma nova reprise para tampar o buraco. No decorrer das horas, descobriu-se que o problema que levou ao cancelamento de Kamen Rider Black foi a sua dublagem.

O primeiro comunicado foi feito pela Sato Company, detentora dos direitos da série no Brasil, em suas redes sociais. "Infelizmente nem todos são a favor do enorme trabalho que estamos tendo em resgatar obras clássicas que acalenta os nostálgicos nesse momento de pandemia", informa a nota, acrescentando que "o interesse de poucos atrapalhando o sonho de muitos". 

Ao site Na Telinha, o presidente da empresa Nelson Sato esclareceu que se tratava de um problema relacionado à dublagem, e que Kamen Rider Black "pode voltar ou não, se não der acordo".

No começo da tarde desta sexta-feira (4), foi a vez do dublador Élcio Sodré se manifestar em suas redes sociais. O responsável pela voz do protagonista Isamu Minami explicou que a veiculação de qualquer mídia exige a autorização preliminar do titular da voz, mas que em momento algum teriam ido conversar com ele para negociar o contrato de cessão de direitos de autor, conforme exige a lei. "Continuo aguardando e torcendo para tudo acabar bem e como deve acabar numa negociação entre pessoas corretas: dentro da lei", encerrou. 

No final da tarde, a Sato Company divulgou uma nova nota explicando o caso. Dividida em vários pontos, a nota de esclarecimento explica que a retirada de Kamen Rider Black foi ato de um dublador que teria se negado a assinar o contrato de cessão de voz, e que a equipe está realizando estudos para levantar a quantidade de horas do dublador na produção.

Em resumo, isso se deve a direitos conexos, ou seja, para a exibição dos episódios, seria necessário a permissão de Elcio Sodré. Pois é ele quem faz a voz do personagem, inclusive na sequência Black Kamen Rider RX.

Essa não é a primeira vez que dublagem dá barracos, vide os casos dos áudios vazados de Márcio Seixas e a dublagem de My Hero Academy.

domingo, 7 de junho de 2020

O problema da dublagem de My Hero Academia

Hermes Barolli e Guilherme Briggs são dois dubladores de renome. Hermes por fazer a voz de Seiya (de Cavaleiros do Zodíaco em mais de uma mídia) e Briggs por fazer o Superman (em diversas mídias). Recentemente o segundo fez a voz do personagem All Might, no filme de Boku no Hero Academia. Enquanto o primeiro se tornou o dono da DuBrasil, um estúdio de dublagem.
Já vemos o cenário aqui então
A FunAnimation vai exibir alguns animes na América Latina. Para isso, muitos deles serão dublados (além de ter a opção legendada) especialmente se forem exibidos em canais de streaming. Entre eles, Assassination Classroom, Steins;Gate, Tokyo Ghoul, Shingeki no Kyojin e Boku no Hero Academia.
Mas há uma briga entre os dubladores e o estúdio responsável por isso.
Ano passado, estreou nos cinemas o filme antes citado de Boku, Dois Heróis. Através do estúdio UniDub.
Então a FunAnimation teria feito um acordo com a DuBrasil, para fazer a dublagem dos animes antes citados. Todos os dubladores da DuBrasil (assim como a UniDub) ficam em São Paulo. Com exceção do Briggs, que é do Rio de Janeiro. Mesmo assim eles trocaram TODO o elenco do filme para o anime. Ok. Pode ter sido uma escolha técnica... Talvez... Vamos ver.
Em defesa da DuBrasil, um dublador anônimo, disse que o anime tinha chegado antes do filme (em março de 2019), tanto que eles já estariam fazendo testes de elenco. Já que a UniDub não sabia que Boku no Hero Academia estava sendo dublado na DuBrasil, escolheu um elenco para o movie. Então, Dois Heróis estrearia antes.
Entretanto, vários dubladores do filme desmentiram isso. Que tinha sido o contrário, que o movie chegou antes e o anime chegou para a DuBrasil em janeiro de 2020. E o que eles falavam que era testes de elencos eram testes de som, estavam testando o equipamento. Nada de voz. Ou seja o dublador anônimo mentiu.
E isso ficou pior quando a Vii Zedek, que fez a voz da Tsuyu em Boku no Hero Academia jogou tudo na internet.
Tanto que depois do filme, a DuBrasil entrou em contato com três dubladores do filme: Vii Zedek, Fábio Lucindo e Felipe Vonpato. Para participarem do anime. Os rapazes foram, mas a Vii não foi pois ela achou isso antiético. Se recusando a dublar para a DuBrasil.
Algo parecido com o boicote da BKS pode acontecer com a DuBrasil. Devido a dublagem de Dragon Ball Kai.
O Guilherme Briggs escreveu uma carta, focando na DuBrasil, mas acertando (sem falar nomes) o Herme Barolli. Já lembrando que MUITAS pessoas amam o trabalho do Hermes, mas MUITAS outras dizem que ele não é tão legal assim com fãs e outras pessoas. E em uma atitude infantil ele bloqueou quem perguntava sobre isso e se pronunciou sobre o assunto. Disse não conhecer o Briggs (Radamanthys e Pégaso se enfrentam na entrada do Hades, para isso eles tiveram que trabalhar juntos), falou que o Briggs não poderia reivindicar o All Might (coisa que o Briggs jamais fez), chamou que quem ia contra ele eram "Guilherminions" (mas eram os fãs de Boku no hero Academia que vinham tirar satisfação) e tudo isso não faz sentido, já que se fosse só trocado o Briggs, talvez nada disso faria sentido. Já que evitaria problemas de deslocamento para Guilherme ou de enviar áudios para São Paulo.
Para piorar, Hermes disse que Briggs estava do lado do Bolsonaro (presidente em exercício na época da treta), chamando as atitudes do dublador de "bolsovírus". Eu acompanho o trabalho de Guilherme Briggs e o cenário político. Quem me conhece, sabe que não passo pano pra fã do Bolsonaro. Em nenhum momento, eu vi o dublador carioca apoiando Jair Messias Bolsonaro.
E mesmo que Briggs estivesse do lado de Bolsonaro... O que tem a ver com essa treta?
Como vemos, hermes estava com raivinha e não soube justificar sua falha.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Ano Hana dublado no Brasil!


Foi anunciado nessa manhã a dublagem do mais popular drama japonês aqui para o Brasil, Ano Hana.
A serie está vindo adaptada com o nome de Ainda Não Sabemos o Nome da Flor que Vimos Naquele Dia.
Confira abaixo a abertura Brasileira:

segunda-feira, 13 de março de 2017

FILME DUBLADO vs FILME LEGENDADO: Uma resposta ao Super 8

Recentemente eu assisti o vídeo completo de um canal no Youtube. O canal se chama Super 8, e o vídeo era FILME DUBLADO vs FILME LEGENDADO. No caso ele apoia demais a ideia de assistir filmes sem legenda e com áudio original. Faz até um bom sentido. E no vídeo tem muito mais relação com os filmes legendados. Contudo, eu discordo disso.
Não que ele esteja errado em suas colocações. Mas podemos ter consciência que tudo é uma questão de escolha, mesmo.
Então vamos desmembrar os argumentos dele, Otávio Uga:
-Cara de um, voz do outro: É certo disser isso, que em muitas animações primeiro se faz a dublagem, para depois se colocar a animação na cena. Isso ocorre muito em animações como da Disney ou DreamWorks. Mas e quanto aos animes? Normalmente, um dublador tem que se encaixar de forma perfeita a animação, que já tem um mangá pronto, ou seja, uma cena que não mudará. É só ver o caso de Dragon Ball. Desde o clássico até o final do Z, tínhamos uma história que deveria seguir do começo ao fim.
A verdade, que um dos maiores problemas nas dublagens brasileiras (que não ocorre tanto nos EUA e Japão) é a valorização dos nossos dubladores. Pois se houvesse maior contribuição para esse fim, o material seria melhor. Não somente em questão de profissionais, mas de qualidade de material para a mixagem de som. Notem vídeos antigos de dubladores brasileiros e comparem com os de lugares onde fazem trabalho hoje em dia. Ainda assim muitos não tem a qualidade dos estúdios gringos.
E possuir um sotaque, não tem como fugir mesmo. Ainda assim, até hoje me lembro das boas risadas com cenas de Yuyu Hakushô que sinceramente me fazem rir até hoje. Daqui a pouco explico mais sobre isso.
Mas espero que tenham compreendido até aqui o que quero disser. Pois tem mais coisa ainda para falar
-Mixagem: Como disse antes, muitas vezes o material de dublagem não é algo perfeito. Podemos não possuir muitos lugares de qualidade para isso (sendo que os centros mais conhecidos são São Paulo e Rio de Janeiro), contudo, o que vem para cá é tão bom assim?
O som é tão importante quando a imagem. Faz muito sentido. Mas se um filme é ruim, ainda assim uma boa dublagem consegue salvar parte daquele película. Exemplo? XXX (Triplo X) e Fast and Furious (Velozes e Furiosos). As cenas do primeiro são forçadas desde o primeiro filme. O que consegue arrancar uma fagulha da vontade de assistir, é uma boa dublagem que consegue nos fazer inseridos em uma história tão fraca que parece os roteiros do Michael "BOOM" Bay, piorados. 
A mixagem sempre é necessária para que consigamos ter a sensação de estar no mesmo ambiente, mas os estúdios se esforçam com que tem. Pois penso que eles também se veem com uma grande demanda de trabalhos para serem feitos. Visto a quantidade de obras que aparecem nos dias de hoje. E ainda assim, existem dubladores que superam nossa expectativas. Gulherme Briggs? Não, a pessoa que dublou Laura Keeney em Logan. Sim pois fez um serviço tão bom na versão dublada, em especial quando fala em espanhol. Aquilo foi muito bom. E até agora não consegui o nome dessa moça. Mas como foi épico aquilo tudo. 
-Adaptações: Um dos maiores problemas dos tempos antigos é: você poderia colocar sangue e cenas consideradas pornográficas em um filme, contudo qualquer "son of bitch" era logo transformado em um "maldito. Só que com uma nova gama de filmes, séries e outros conteúdos mais ligado a um público mais exigente, isso tem mudado. Além do mais, até mesmo em novelas brasileiras isso tem mudado. Pouco mas tem... Bem pouco... Pouquíssimo...
E questões de adaptar palavras do idioma original para o português, ao mesmo tempo que iriam tentar a sincronização perfeita, isso me lembra Tolkien.
Tolkien, escritor de várias obras que conhecemos e adoramos, escreveu um manual para que quem pegasse o livro para traduzir o fizesse corretamente. Ele sabia 16 línguas, criou línguas usando variantes usando o germânico e o anglo-saxão, tirando as adaptações de obras que ele fez como da lenda de Artur. Tecnicamente falando ele é um gênio. Agora querer que algo se aproxime disso seria insano. Aqui não temos os problemas de material e sim de algo que vai além da capacidade de profissionais muito bem treinados.
Seria bom se tivessem mais tradutores especializado para isso. Contudo, não temos tanto assim. Sem contar que ninguém consegue ser tão cuidadoso como Tolkien. Ou um escritor que se preze vai ter um conhecimento vasto só para que quando cair em outra língua saia tudo perfeito? Você teria que ser a personagem de Amy Adams em A Chegada para fazer algo tão bom assim.
Sobre ter uma outra cultura de um país... Eu sou professor e mesmo gostando do sistema escolar no Japão e Estados Unidos, alguns termos (mesmo quando assistia as versões legendadas) se tornavam confusas para mim. Não é tão fácil adaptar uma outra cultura em qualquer idioma para um público.
-Integridade da obra: Como já foi dito antes, alguns autores (usei Tolkien como exemplo), são extremamente metódicos em sua versão original. E querem isso para qualquer adaptação feita. Seja audiovisual ou um livro em outra linguagem. Só que isso nem sempre é certo. Eu mesmo encontrei erros de escrita em O Senhor dos Anéis. Não estou falando dos filmes, mas sim da trilogia escrita e editada pela Martins Fontes.
E como é falado por Uga o diálogo passa por várias mãos. Todos os profissionais são roteirista, ator, montador e diretor. A mesma coisa, com algumas diferenças, de um livro que tem escritor, leitor beta, editor, revisor e outros. Não há como disser que aquele conteúdo não foi modificado, mas que talvez a mensagem chegue no final do filme ou livro. Se a dublagem faz esse serviço, ela é tão ruim assim?
Comparar uma obra de Quentin Tarantino com a dublagem brasileira é meio apelação. Visto que muitas vezes ele é roteirista, diretor e até mesmo ator! Ou seja, nas obras dele, quase não houve interferência externa.
-O trabalho do ator: Usando um exemplo recente mais uma vez, Isaac Bardavid quase sempre deu voz ao personagem Logan, também conhecido como Wolverine. Sendo ranzinza quando precisava e afetuoso quando necessário. Não desmereço o trabalho de um ator ou atriz aqui, só que ele também se adaptou a fases do Wolverine. Não a de Hugh Jackman. Tanto que nem sempre ele dubla Hugh. Ao menos em outros filmes. Lembrando que o dublador tem que tentar alcançar algo que o ator e atriz demoraram horas, ao menos na questão vocal. Nem semrpe uma dublagem fica precisa (como foi o caso de algumas vezes em que assisti Doctor Who), contudo um dublador no fim também é um ator. Tentando transmitir o que aquele personagem sente da melhor forma possível.
Voltemos a Yuyu Hakushô é um animê e mangá que fala as desventuras e lutas de Yusuke Urameshi. Um detetive espiritual que elimina youkais. E ai ocorreu uma adaptação na dublagem. "Olha ai a quebra de ideia do autor". Ok, então me explica o que é um demônio e o que um youkai? Mas que seja preciso. Não dá. Só com o que se tem na dublagem muitas vezes. E poucas vezes isso é explicado no anime, já que a dublagem faz o que pode como disse milhares de vezes aqui. Podemos colocar mais coisas. Quando o anime passa houve adaptações de AH EU TÔ MALUCO para eu AH EU SOU MALUCO, no Torneio das Trevas. Aquilo era, de certa forma, necessário. Pois a maneira que se torcia por lá pode ser de uma forma tão estranha que aqui não faria sentido. Estranho? Eu explico: já viu como são as festividades japonesas? De certa forma comportadas. Controladas. As nossas são quase que momento para se esbaldar. E ali naquelas arquibancadas, mesmo entre youkais aquela comemoração poderia ser sentido para o espectador.
Concordo em um ponto aqui: a chamada de celebridades para determinada personagem. Isso é puro marketing, ainda assim, denigre a dublagem ao meu ver.
-Medida de acessibilidade: Acessibilidade por exemplo é um caso raro. Para não disser, raríssimo. Vejamos um exemplo de acesso ao Cinema de Guarulhos, saindo daqui de Santa Isabel.  Se eu fosse cadeirante, teria que descer um morro sem áreas de acesso a deficiente físico com um medo tremendo. Feito essa façanha teria que pegar um ônibus, esse sim com acessibilidade quase sempre sendo que eu poderia ter o problema de ter o equipamento para tal ato danificado. Ignorando isso, chegamos ao Shopping Internacional de Guarulhos. Onde não tem rampa de acesso aos deficientes, nem uma zona de acesso segura para os mesmos. Não me lembro de ter algo falando sobre audio-descrição por lá que eu me lembre. Só que quando ele sair de lá, nova odisseia o espera. Pergunta: ele vai se preocupar tanto com o que? Com a compreensão do filme ou se é legendado ou dublado? Com a compreensão do filme, só que para isso ele precisará ver o dublado (isso se ele não se preocupar com o horário). Só uso esse exemplo pois conheço casos assim, mas existem muitas pessoas com problemas visuais ou auditivos que sofrem para obter algo para eles nas locadoras mesmo. 
E artificialidade de uma animação? Creio que Uga não assistiu algo do Studio Ghibli ou de Makoto Shinkai, que admito, prefiro em legenda. Mas já assisti a Viagem de Chihiro e gostei muito.
-Raridades: Existem vários filmes que mesmo dublados são raros. Como é o caso de Star Wars, ou alguns filmes do Jackie Chan com seu antigo dublador. E a qualidade nesses é bem melhor. Acreditem.
Pode ser que as vezes a procurar versão legendada seja mais fácil de encontrar uma obra rara. Contudo, certos maneirismos antigos foram bem adaptados na época.
-Atenção à tela: A pesquisa que ele mesmo comentou fala sobre isso. Ok, ele comentou sobre a visão periférica. Contudo, isso pode ser mais colocado em outras pesquisas e provado de fato. Não somente aqui como em outros países!
Antes de tudo sou um fã do canal, mas precisava defender algo que gosto tanto como a dublagem brasileira. E não querendo falar que ela é a melhor do mundo. Nunca foi feito uma pesquisa assim que eu saiba. Contudo, gostaria de mostrar uma opinião bem formada sobre o assunto. Mas sinceramente essa é mais minha opinião. E de certa forma é até fraca, se comparada a alguém que deve ser especializado em coisas relativas ao audio-visual. Pois sim ele deve ser bem mais inteirado desse tipo de assunto.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O quão difícil é a dublagem



A dublagem que ocorre aqui no Brasil é diferente em lugares como no Japão. Primeiro, diferente de lá, e até mesmo nos Estados Unidos, o dublador nunca foi valorizado de maneira mais pesada. Só hoje em dia esse quadro tem mudado com pessoas importantes nessa profissão como Wendel Bezerra, Guilherme Briggs e Hermes Baroli. 
Para uma fazer uma animação, determinada TV ou outros grupos de mídia compram os direitos sobre uma obra de mangá. Então esse grupo manda os episódios para uma empresa de dublagem. No caso do Japão, por exemplo, tem como um canal que compra direitos sobre uma obra muitas vezes a NHK. E normalmente, quem faz a seriazação e animação dos episódios por lá são estúdios como a Aniplex e a Pierrot Co. Ltd por exemplo. Contudo a versão dublada é normalmente pela Viz Media e a própria NHK. 
O que ocorre no Brasil não difere muito do Japão na questão da dublagem. Talvez uma das maiores diferenças sobre isso seja, quase sempre alguns maneirismos na linguagem e adaptação em piadas ou explicações (vide Hodor em Game of Thrones, Season 6). Lembrando que nesse caso, relativo aos animes, eles tem que adaptar TUDO do anime para a língua que será usada na dublagem. Um tradutor assiste o vídeo e traduz o script para outro idioma. Depois de traduzido e revisado, o projeto é dividido em anéis, trechos da obra em 20 segundos. Já notou como não é fácil isso. Cada personagem ganha um dublador (muitas vezes podem aparecer as mesmas vozes em outros personagens, pois não existia dubladores suficientes). Recebendo uma quantia até que baixa por serviços prestados. Normalmente para dublar, ou ele escuta o áudio original ou assiste a cena, adaptando a fala traduzida para o anime. Depois de tudo pronto, o "produto" é revisado, para então ser enviado ao cliente. Usando vários tipos de mídia, pode ser entregue esse "produto" ao cliente.
Muitos dubladores, assim como atores e advogados, precisam ter um registro. E não basta só alterar a voz mas também ser um bom ator. Mostrar através de sua voz os sentimentos daquele personagem.
Espero que com isso você passe a respeitar mais os dubladores brasileiros.