Mostrando postagens com marcador Período Bakumatsu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Período Bakumatsu. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de abril de 2017

Animes e mangás com guerras japonesas


Animes e mangás que tratam de guerras são muitos. Inclusive, aqui no blog já postei alguns que tratam sobre a Segunda Guerra. Mas agora falarei sobre outros por aqui. Tanto o de espadas, quanto os com armas de fogo. Mas hoje será sobre os samurais
Sengoku Basara se baseia em especial nos conflitos da Era Sengoku onde os daimyos entravam em conflitos uns com os outros e o poder dos xoguns aumentava de forma até alarmante. Então, dois guerreiros se destacam nesse conflito: Date Masamune (cheio de gírias americanas e líder de Oshu) e Sanada Yukimura (general de Takeda Shinken, líder de Kai). Ambos possuem uma rivalidade pela a disputa de terra, assim como os outros generais que querem governar a ilha. Mas em especial, Sanada Yukimura e Date Masamune, pois ambos possuem uma rivalidade pessoal de sempre quererem lutar contra algum adversário mais forte, mas um nunca conseguiu derrotar o outro. Há outros generais que possuem rivalidades no jogo.
Apesar de ser baseado em uma forma mais viajada da história real, Sengoku Basara é um anime inspirado em um jogo de mesmo nome. Algo parecido com Destiny Warriors, só que produzidos pela Capcom. O que rendeu duas séries e um movie. Com personagens reais como Oda Nobunaga e Hideiyoshi.
E aqui mais um anime que trata sobre o Shinsegumi e sua importância. Peace Maker Kurogane.
Durante, ou melhor, um pouco antes do turbilhão caótico do Bakumatsu. Um orfão de nome Tetsunosuke quer se vingar do assassino de seus pais. Ele é acolhido pelo Shinsegumi, "exército-polícia" de Kyoto, para um dia se tornar um importante membro do grupo. Mal sabe ele que fará amizade exatamente com o discípulo do assassino de seus pais...
Entre as personalidades históricas do Shinsegumi vemos vários membros como Soiji Okita (que tá um pau no principal da história no primeiro volume logo de cara, com uma shinai) e Hajime Saitou (que também aparece em Rurouni Kenshin - Samurai X). A trama mostra, como pano de fundo os conflitos daquela época.
Rurouni Kenshin. No Brasil, foi adotado o título americano Samurai X. É um Anime baseado no mangá de Nobuhiro Watsuki, que misturava vários gêneros como ação, comédia, típico de mangas shonen, mas que deixava no ar um romance mal resolvido por parte do personagem principal Kenshin e a personagem secundário Kaoru.
Kaoru Kamiya faz a narração da história de um dos lendários personagens que marcaram o final da Era Tokugawa (final do feudalismo Oriental no Japão), o Hitokiri Battousai, que ela crê estar atacando seu dojo. Ao mesmo tempo um rurouni (andarilho, em uma tradução mais simples) surge e tenta a ajudar. Depois de alguns problemas iniciais, como a desconfiança de Kaoru por esse andarilho possuir uma espada de lâmina invertida, ele salva a moça. Mas revela que ele sim, era o lendário Hitokiri. Acontece que ele, mesmo conseguindo um Japão mais justo, se sente culpado pela quantidade de mortos que deixou no caminho. E ele fica no dojo Kamiya e começa a juntar amigos e aliados (como Sanosuke Sagara, Yahiko Miyoujin e tantos outros).
Esse lendário espadachim realmente existiu – mas lógico não era ruivo. Um dos traços marcantes e que a diferencia da grande maioria das histórias de samurai, é o excelente cruzamento entre os acontecimentos históricos reais, que são normalmente tema da trama da temporada, e a presença de personalidades marcantes da história japonesa.
É uma excelente história, além de que Rurouni Kenshin lhe ensina sobre como funcionava o sistema e modo de vida oriental que marcava a Era Tokugawa e toda a transformação necessária, que esta registrada na história, para acabar com ele e botar no poder a mais antiga de todas as dinastias que existe até hoje. A Dinastia do Japão esta no poder desde a queda da Dinastia Tokugawa até os dias atuais, então o anime retrata como começou a Era Meiji.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Shinsegumi, os Lobos de Mibu


Após a chegada do Comodoro Perry, o Japão foi lançado ao caos e ao medo. Muitos samurais, especialmente aqueles de classes inferiores, começaram a duvidar da capacidade do Xogunato de defender o país contra as potências estrangeiras, principalmente quando viram os navios negros armados. O slogan "Sonno-Joi" (reverenciar o Imperador e expulsar os bárbaros) estava ganhando mais e mais apoio, quando esses samurais abandonaram seus feudos para irem a Kyoto juntar-se aos movimentos revolucionários - lembrando que na época abandonar o seu feudo de origem era considerado um dos piores crimes possíveis; Se alguém o fizesse, não poderia mais voltar, sob pena de morte.
Tais roshis (o mesmo que ronins, isto é, samurais que não servem a um daimio - senhor feudal) aumentaram em Kyoto, causando mais e mais perturbações na capital. Naqueles primeiros dias de insatisfação, muitos roshis não tinham idéia de que movimento ou que líder seguir. O que todos sabiam é que estavam impacientes e ávidos de fazer alguma coisa para defender o Japão. Havia miríades de escolas de pensamento - Sonno-joi, abertura do país para os estrangeiros para aprender com eles e usar tal conhecimento e tecnologia contra os mesmos, apoiar o Xogunato. Cada um tinha suas próprias idéias e não se podia saber quem estava certo ou errado. O Xogunato decidiu que seria de grande vantagem empregar tais roshis sem hesitação a seu serviço, em vez de deixá-los vagando pela capital. Assim, os Roshitais (tropas de roshis) foram formados e roshis alistados sob o comando de samurais do Xogunato, onde os "requisitos de inscrição" eram as habilidades com a espada do indivíduo (de lutas de kenjutsu até guisa de exame eram executadas). E agora, uma mudança de cenário...
No distrito de Tama, próximo a Edo, havia um dojo de kenjutsu, o Shieikan, que praticava o estilo Tennen Rishin Ryuu. O mestre era um tal de Isami Kondou, e entre os alunos estavam Toshizou Hijikata, Souji Okita e Genzaburou Inoue. Estes quatro eram como irmãos, sendo Okita o mais jovem e o mais poderoso. Havia também muitos freqüentadores no dojo que faziam suas refeições lá, entre eles Keisuke Yamanami, Sanosuke Harada e Shinpachi Nagakura. Quando Kondou e Hijikata ouviram falar da formação de Roshitais em Kyoto, como bons patriotas que eram, foram a Kyoto com vários discípulos do Tennen Rishin Ryuu, inclusive os anteriormente citados, deixando o dojo aos cuidados do irmão mais velho de Hijikata.
Lá chegando, foram alistados por Hachirou Kiyokawa, após passar pelos "exames de admissão". Treze roushis, incluindo Kondou e cia, foram indicados como "Defensores de Kyoto" por Katamori Matsudaira, o Daimio do Feudo de Aizu.
Porém, apesar de Kiyokawa atuar publicamente como pró-Xogunato, ele na verdade estava do outro lado. O que ele queria era reunir uma tropa de roushis em nome do Xogunato, mas treiná-los para serem Ishin Shishis (monarquistas). Irônico, não? Ele planejava atacar o alojamento gaijin (estrangeiro) de Yokohama, incendiar as casas e matar os estrangeiros, para que a diplomacia do Xogunato, bem como sua imagem, caísse o mais baixo possível. O Xogunato soube disto, porém, e enviou assassinos para eliminar Kiyokawa, no dia 13 de abril do 3º ano da era Bunkyuu (1863), antes que o seu plano pudesse ser executado. Depois disto, Kondou e cia insistiram em auxiliar o Xogunato, e assim formaram o Shinsengumi, com 13 membros. Foi aí que o kanji "Makoto" foi escolhido como estandarte do grupo. Houveram algumas discussões sobre isso: Kondou insistiu no "Makoto" e Serizawa no "Ryu" (Dragão). Esta foi a primeira formação do Shinsengumi:

- Kyoukuchou:
(Comandantes)
  • - Kamo Serizawa
  • - Nishiki Niimi
  • - Isami Kondou

- Fukuchou
(Vice-Comandantes)
  • - Keisuke Yamanami
  • - Toshizou Hijikata

- Fukuchou Jokin
(Auxiliares dos Vice-Comandantes)
  • - Souji Okita
  • - Shinpachi Nagakura
  • - Sanosuke Harada
  • - Heisuke Todou
  • - Genzaburou Inoue
  • - Gorou Hirayama
  • - Kenji Noguchi
  • - Juusuke Hirama
  • - Hajime Saitou
  • - Shuntarou Ogata
  • - Susumu Yamazaki
  • - Sanjuurou Tani
  • - Chuuji (Tadaji) Matsudaira
  • - Soutarou Andou

- Chouyaku Narabi Kansatu Gata
(Investigações e Observações-Espiões)
  • - Kai Shimada
  • - Shouji (Katsuji) Kawashima
  • - Nobutarou Hayashi

- Kanteiyaku Narabi Konida Gata
(Operações de Limpeza e Pequenas Bagagens)
  • - Yutarou Kishima (Kishida)
  • - Yabee Okan (Oseki)
  • - Kitarou Kawai
  • - Hyouko Sakai


- A Primeira Turbulência Interna
Como se pode ver, o Shinsengumi agora é composto principalmente pelos homens de Kondou. Desnecessário dizer que eles eram a alma do Shinsengumi do começo ao fim - afinal eles eram os mais fortes. De qualquer maneira, Kamo Serizawa não era flor que se cheirasse. Mestre do estilo Shintou Munem Ryuu, ele era famoso por usar um leque de ferro como arma e freqüentava bordéis, matava pessoas ao seu bel-prazer, se embriagava, e comportava-se de maneira impertinente, usando sua posição como "Comandante do Shinsengumi" para acobertar os seus erros. Daí surgiu o apelido "Lobos de Mibu": a tropa se reuniu primeiro na vila de Mibu, e então o nome Miburo (Roushis de Mibu), se tornou Miburo (Lobos de Mibu). A tropa tornou-se desprezada em toda Kyoto. A gota d'água para Kondou e Hijikata foi quando Serizawa trouxe uma prostituta para o alojamento do Shinsengumi. Eles eram homens de altos princípios morais e apegados aos códigos de honra dos samurais.
Por outro lado, Niimi não era muito melhor. Quando a tropa estava viajando para Kyoto, um incêndio aconteceu no hotel em que estavam hospedados e Kondou levou toda a culpa pela negligência. Mais tarde ele foi ridicularizado por Serizawa e Niimi. Algumas semanas mais tarde, porém, Hijikata e os outros descobriram a verdade: Niimi estava exigindo descontos (e outros serviços luxuosos) de um certo lojista, que se recusou a atendê-los porque sua exigências eram ridículas. Enfurecidos, os dois dispararam um canhão, que viajou com a tropa e estava sendo armazenado no loja no hotel. Porém, eles se descuidaram e o incêndio atingiu o hotel. Hijikata conseguiu descobrir evidências suficientes para incriminar apenas Niimi, porém, e Hijikata ordenou que Niimi cometesse seppuku. Depois disto, as hostilidades entre Kondou e Serizawa se tornaram mais e mais insanas. Finalmente, em 18/09/1863, Serizawa e outros membros corruptos do Shinsengumi foram assassinados por um grupo de extermínio especial, composto por Inoue, Yamanami, Todou, Harada e Okita.
Bem, membros vieram e se foram, usualmente por decapitações e seppuku. Depois do caso Serizawa, Kondou e Hijikata se determinaram a melhorar a qualidade dos seus membros, não somente aumentando a dificuldade dos "testes de admissão", como também decapitando, assassinando e ordenando seppuku a qualquer membro que fosse apanhado violando o Bushido (1ª lei do Shinsengumi, não esqueçam!).
Nota: Seppuku - O Suicídio Ritual, no qual o Samurai corta a própria Barriga, era considerada uma forma Honrosa de se morrer.
Segundo os romances históricos, os testes para os candidatos ao Shinsengumi eram feitos da seguinte forma:
1) Os candidatos lutariam entre si usando shinais (espadas de bambu);
2) Os mais fortes entre eles lutariam com membros mais treinados do Shinsengumi, usualmente Saitou, Nagakura ou Todou. O juiz dessa luta freqüentemente era Okita.
3) A seleção final era feita por Hijikata e Yamanami.

- O Trabalho deles
Basicamente, o Shinsengumi era uma força policial dedicada a patrulhar as ruas de Kyoto e manter a paz. Eles juraram proteger Kyoto com suas espadas. No calor dos movimentos monarquistas, os Ishins empestavam Kyoto, planejando a derrubada do Xogunato. Adicione-se a isso as ações radicais dos Ishins (tais como incendiar casas de gaijins) e todos os roshis, excluindo-se o Shinsengumi, tornaram-se suspeitos e perigosos em Kyoto, especialmente aqueles que desertaram do seu feudo de origem. Então, se uma pessoa não apresentasse uma identidade satisfatória (nome e feudo de origem) quando interrogado pelo Shinsengumi, seria retalhada sem dó. Isto fez com que o Shinsengumi (especialmente seu Vice-Comandante, Hijikata, um homem rígido e impiedoso, tanto para punir como para retalhar indivíduos suspeitos) fosse temido em toda Kyoto.
O estilo favorito de combate do Shinsengumi era o muitos-contra-um (ou contra uns poucos), e isto se tornou mais evidente a medida que o Shinsengumi crescia. Se a primeira leva de Miburos cercando suspeitos fosse derrotada, levas adicionais eram enviadas a eles, até deixá-los completamente exaustos e retalhá-los.

- O Incidente da Hospedaria Ikeda
(Dia 5 do junho do ano 1 da era Genji [1864])
E, finalmente, o ponto de virada da carreira do Shinsengumi. O Shinsengumi havia prendido um dos mais importantes homens do Ishin Shishi, Kiemon. Este foi torturado cruelmente e sem piedade. Mas o Shinsengumi só havia conseguido seu nome verdadeiro, Shuntarou Furutaka. Porém, Toshizou Hijikata, Vice-Comandante do Shinsengumi, perdeu a paciência e submeteu Furutaka a uma tortura mais cruel, até que ele confessasse tudo; o plano dos monarquistas era o seguinte:
1) Aproximadamente no dia 20 de Junho de 1864, os monarquistas iriam escolher uma noite com bastante vento para atear fogo em Kyoto. Dependendo do caso, eles iriam cercar o palácio de Kyoto com chamas.
2) Aproveitando o caos criado, emboscariam e matariam todos os homens importantes do Xogunato.
3) Então seqüestrariam o Imperador e o levariam ao feudo de Choushuu.
Os monarquistas estariam reunidos na Hospedaria Ikeda e na Hospedaria Shikoku. Sem imaginar que o Shinsengumi havia descoberto os seus planos, os monarquistas se reúnem na Hospedaria Ikeda. O Comissariado Militar de Kyoto é alertado sobre o perigo e trata de juntar-se ao exército do Comissariado e a outras organizações e feudos para atacar os monarquistas.
Entretanto, duas horas depois, sem que ninguém houvesse chegado, o Shinsengumi decide agir sozinho. O Comandante dos Lobos de Mibu, Isami Kondou, forma dois grupos para atacar a Hospedaria Ikeda e a Shikoku ao mesmo tempo. E assim começa uma batalha que dura duas horas, na qual os monarquistas foram massacrados. Esse acontecimento ficou conhecido como o Incidente da Hospedaria Ikeda (Ikeda-ya Jiken ou Ikeda-ya no Hen).
Depois do confronto, não sobrou quase nada da Hospedaria. E a volta triunfal do Shinsengumi foi acompanhada por um mar de pessoas, impressionadas ao ver os homens completamente cobertos de sangue. Este incidente lançou o nome da tropa ao "estrelato" e, por causa dessa atuação, o Imperador mostrou o seu apreço pelos Miburo.

- Uma Estrutura Mais Organizada
A medida em que o nome do grupo atraía admiração por todo o país, seu número aumentou tão rapidamente (chegou a 300 no seu auge!) que foi necessária uma melhor organização. De modo que os Miburo ficaram organizados da seguinte forma:
  • - Sochou (Comandante): Isami Kondou
  • - Fukushou (Vice-Comandante): Toshizou Hijikata
  • - Sanbou (Conselheiro Militar): Kashitarou Itou 

[NOTA: Keisuke Yamanami foi obrigado a cometer seppuku por violar a 2ª lei do Shinsengumi]

- Kumichou (Capitães):
  • - Ichibantai (1ª divisão): Souji Okita
  • - Nibantai (2ª divisão): Shinpachi Nagakura
  • - Sanbantai (3ª divisão): Hajime Saitou
  • - Yonbantai (4ª divisão): Chuuji(Tadaji) Matsubara
  • - Gobantai (5ª divisão): Kanryuusai Takeda
  • - Rokubantai (6ª divisão): Genzaburou Inoue
  • - Shichibantai (7ª divisão): Sanjuurou Tani
  • - Hachibantai (8ª divisão): Heisuke Todou
  • - Kyuubantai (9ª divisão): Mikisaburou Susuki
  • - Juubantai (10ª divisão): Harada Sanosuke


- Gochou (Cabos):
  • - Kai Shimada
  • - Shouji Kawashima
  • - Nobutarou Hayashi
  • - Eisuke Okusawa
  • - Gorou Maeno
  • - Juurou Abe
  • - Takehachirou Kayama
  • - Tetugorou Itou
  • - Yoshitaku Kondou
  • - Maschika Kumebe
  • - Kanou Washio
  • - Nobori Nakamishi
  • - Kouzou Ohara
  • - Yabee Tomiyama
  • - Kosaburou Nakamura
  • - Kotarou Ikeda
  • - Kaisuke Hashimoto
  • - Tsukasa Ibaragi
  • - (e mais duas pessoas)


- Roushi Torishimari Yaku Narabi kansatus Tobi
(Departamento de Disciplina Interna e Obeservações-Espiões)
  • - Tainoshin Shinohara
  • - Susumu Yamazaki
  • - Tadao Arai
  • - Nobori Ashiya
  • - Kan-Ichirou Yoshimura
  • - Shuntarou Ogata


- Kanjou Gakari
(Operações de Limpeza)
  • - Kisaburou Kawai 


- O Fim do Shinsengumi
Como dito anteriormente, Keisuke Yamanami, meses antes do Incidente da Hospedaria Ikeda saiu do Shinsengumi, mas foi capturado por Souji Okita e obrigado a cometer Seppuku.
Mais tarde, em 1865, Chuuji (Tadaji) Matsubara cometeu Seppuku por causa de uma decepção amorosa.
Kawai Kisaburou foi executado por não ter conseguido justificar um rombo financeiro nas contas do grupo que ele provocou sem querer.
Os irmãos Tani (Sanjuurou, Shuntarou e Kondou Shuuhei) eram uma grande fonte de problemas dentro do Shinsengumi. Acabaram sendo mortos por Hajime Saitou.
Tauchi Tomo foi executado porque foi ferido pelo amante de sua mulher.
Kanryuusai Takeda tentou fugir para o feudo de Satsuma, mas foi descoberto e morto por Hajime Saitou.
Kashitarou Itou, Mikisaburou Suzuki e Heisuke Todou e mais algumas pessoas tentaram sair do Shinsengumi usando como pretexto a morte de Keisuke Yamanami, mas foram mortos em 18 de Novembro de 1867. Alguns membros do grupo dissidente sobreviveram, e conduziram atentados contra as vidas de Okita e Kondou.
Mais tarde, ocorreu a aliança entre os feudos de Choushuu e Satsuma (os mais atuantes feudos monarquistas). A seguir, o Xogun Yoshinobu Tokugawa devolveu o poder político para o Imperador, que logo depois assumiu oficialmente o governo do Japão.
Em seguida, tivemos a Guerra Boshin, que marcou o fim da Era Tokugawa e o início da era Meiji. Na primeira batalha, a de Toba e Fushimi, vários membros do Shinsengumi morrem, entre eles Inoue e Susumu.
Kondou foi preso e decapitado em 25 de abril de 1868.
Okita morreu de tuberculose em 30 de maio do mesmo ano.
Nagakura e Harada foram expulsos do Shinsengumi após uma violenta discussão com Hijikata, e formaram o Seiheitai. Mais tarde, Harada juntou-se ao Shogitai.
Durante a segunda batalha da Guerra Boshin, a batalha do monte Ueno, em Edo, Harada foi dado como morto. Há lendas de que ele sobreviveu e foi para a Mongólia, tornando-se o líder dos nômades de lá.
Saitou lutou até o fim, mas a 3ª divisão do Shinsengumi foi massacrada, e ele dado como morto. Porém, Saitou sobreviveu, foi para o feudo de Aizu, casou-se com Tokio Takagi, teve três filhos, tornou-se policial espadachim e mudou seu nome para Gorou Fujita. (Em off: acho que é por isso que o Saitou sempre se dá bem em todas as histórias de anime...)
Nagakura voltou ao seu feudo de origem, mudou seu nome para Yoshie Toshimura, tornou-se instrutor de Kendô de uma penitenciária de Hokkaido e até escreveu uma biografia sobre os seus tempos no Shinsengumi.
Falando em Hokkaido, foi lá que a vida e as lutas de Toshizou Hijikata, o "demônio do Shinsengumi", chegaram ao fim. Ele e os demais sobreviventes dos Miburo estabeleceram uma república independente, a república de Hokkaido. Durante algum tempo eles massacraram todas as expedições do governo Meiji que foram enviadas para lá. Até que, durante a última batalha da guerra Boshin, a batalha de Hakodate, Toshizou Hijikata foi morto por tiros de metralhadora, a 11 de maio de 1869. A morte de Hijikata marca o final da história do Shinsengumi.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Entenda a Era Sengoku e o Bakumatsu


Era Sengoku
O Japão. Terra do Sol Nascente. Sua bandeira é simplesmente um sol vermelho. E poucos conheceram sobre sua cultura, sua história, seu mundo.
Como professor de história no Ocidente, pouco se sabe do passado dessa sociedade. Os livros de história falam pouco ou nada sobre esse país. Só é citado quando se relaciona em conflitos de grande importância para os ocidentais, como a Segunda Guerra Mundial.  Poucos, por exemplo, sabem que houve uma verdadeira carnificina no Brasil, depois dos Aliados vencerem essa guerra. Isso se devia ao fato de que alguns japoneses não acreditavam na derrota de sua nação. E matavam quaisquer outros do país que compactuasse com essa “mentira”!
Mas aqui tratarei de dois períodos de grande importância para estrutura que conhecemos sobre o Japão: o período Sengoku e o Bakumatsu.
Antes de começarmos, uma coisa que muitos pensam é que podemos classificar o período de 1000 até 1500 d.C. como Japão Feudal. Isso é errado. Não havia formações de feudos. O certo seria examinar corretamente como eram as províncias e os xoguns, comandantes militares da época. A formação desse território é bem diferente do europeu, em que as cidades se formavam ao redor dos castelos dos senhores feudais.
O período Sengoku se deve pelo fato que o Império (período Nara que vai 710 até 794) foi enfraquecido com o surgimento dos xoguns. O imperador tinha força em cima de homens como proprietários rurais, não em lideres de combate. Isso começou as eras de xogunatos.
Eis que durante o xogunato de Ashikaga Yoshimasa, uma relativa estabilidade surgiu no território.
Ele se dedicou as questões artísticas e culturais, ignorando a situação política do país. Isso deu margem a daimyos (senhores de terras menores) inescrupulosos começarem a criar conflitos, desestruturando o país.  Houve muitas revoltas camponesas, dada a pobreza e opressão na qual a maioria da sociedade vivia. Isso criou nos senhores de terras um sentimento de revolta, sendo que nesse tempo havia 260 deles por todo país, com poder quase ilimitado nos seus territórios. Ou seja, 260 estados, alguns até com sua própria moeda e exército.
Quando, em 1467, houve uma grande disputa pela sucessão do xogum pelos clãs Hosokawa e os Yamana, isso teria sido o estopim para a Guerra de Onin. Mas isso foi só um pequeno detalhe cheio de guerras civis por dez anos, que mais tarde seriam pesados envolvendo daimyos por todo o Japão. Esse seria o ano do Período Sengoku (Era dos Estados em Guerra).
Vários homens tentaram unificar o país. Mas três nomes se destacam: Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu.
Nobunaga foi o primeiro general japonês a aprender a usar eficientemente armas de fogo, introduzidas pelos portugueses em 1543. Havia, além da xenofobia japonesa, os problemas relativos ao uso de arcabuzes em campo de batalha. De modo prático, demorava demais os disparos e o recarregar deles. Ele então introduziu grupos de quatro homens, em cada um estaria responsável por uma parte do processo de ataque. Porém, adotou o cristianismo e arrasou vários pontos onde o budismo era prática comum. Ele já havia dominado boa parte da região central do Japão, porém foi traído por um de seus principais oficiais e emboscado. Ninguém sabe se foi morto ou cometeu suicídio.
Um dos auxiliares mais próximos de Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi, foi rápido e matou o traidor Akechi Mitsuhide. Após isso, como sinal de respeito, ele depositou a cabeça do desafeto no tumulo de seu antigo líder. Prosseguiu com o plano de unificação do país. Para isso, demarcou várias barreiras para a mobilidade social. Os soldados seriam os únicos que portariam armas, passariam a viver próximos dos castelos, não poderiam cultivar a terra e recebiam um “salário” em arroz. Aqui vale lembrar que suas estruturas de cidades, não funcionavam como os feudos, visto que esses possuíam muralhas e recebiam todas as pessoas que serviam ao lorde. No caso em questão, só os samurais estavam sob proteção do xogum. Isso ocorria, pois, como era um camponês inicialmente Hideyoshi queria impedir que alguém como ele subisse de hierarquia e tomasse seu poder. Ainda assim ele conseguiu controlar quase todo o Japão.
Era ambicioso. Queria dominar toda Ásia e até atacou a China com um contingente de 200 mil soldados. O xogum caiu doente, mas convocou um conselho de cinco regentes. Um deles era Tokugawa Ieyasu, até o que filho de Toyotomi Hideyoshi, Hideyori, atingisse a idade adulta. Os homens escolhidos não se entenderam e começaram a lutar pelo poder. Isso criaria o confronto mais conhecido desse período chamado de Batalha de Sekigahara (em 1600), onde 160 mil samurais participaram. Tokugawa se saiu vitorioso. Em 1603, ele foi nomeado xogum.
Esse período foi um dos principais motivos da unificação dessa nação. No próximo texto, escrevo sobre o Bakumatsu.

Bakumatsu
Bakumatsu. Literalmente, pode se falar que é o “Final do Xogunato”. Compreende o período entre 1854 a 1868. Mesmo sendo uma quantidade de tempo menor que o período Sengoku, sua importância histórica traz muitas conseqüências para o Japão. Mas vamos começar falando sobre os motivos para tal acontecimento histórico.
Em Junho de 1853, chegaram os navios negros do Comodoro Matthew C. Perry. Um esquadrão com quatro embarcações, na tentativa de impulsionar um comércio com o Japão. Devido ao costume japonês de não fazer acordos mercantis (com exceção da Holanda) não quiseram receber a tripulação ou seu líder. Nesse caso, houve a ameaça de bombardear o porto de Nagasaki, único porto ao qual estava aberto a estrangeiros.  Sem escolha, o país permitiu contato com os americanos.
Havia um grande sentimento de divergência entre os japoneses: aqueles que iam contra o isolamento da nação e os contra. Isso sem contar que o bakufu (outro nome para xogunato, governo japonês da época) foi forçado a abrir mais portos para os Estados Unidos. Isso demonstrava a queda do poder do xogum. A população estava cheia de dúvidas sobre aquele governo. E vários outros fatos mostravam a ocidentalização no país, como a tradução de livros dos americanos. Isso deixou extremamente descontente algumas facções aliadas dos Tokugawas.
Dois fatores tornaram maior o sentimento de descontentamento com aquela situação. O primeiro se refere aos daimyos que perderam na Batalha de Sekigahara, que desde então, foram excluídos de qualquer cargo com relevante importância dentro do governo. Outro seria a filosofia de “Reverência ao Imperador, Expulsão dos Bárbaros”, pensamento neo-confucionista que reforçava os aliados do Imperador (chamados de isshin shishi, monarquistas). Estes últimos queriam a maior abertura do país para os contatos com estrangeiros.
Além de um maior contato com outros povos, estudantes navais foram enviados para estudar em escolas ocidentais. Isso gerou um costume, de enviar seus filhos para outros países. Além disso, no final do Bakumatsu, foi formada uma tropa com extrema fidelidade ao xogum. Chamados como Lobos de Mibu, seu nome era Shinsegumi. Sua função era basicamente controlar o caos durante esse período, como uma polícia militar da época. Mas ainda não eram bem tratados devido ao passado de alguns lideres do grupo.
Os ânimos entre aqueles a favor do xogum, ou seja, contra o contato estrangeiro e os monarquistas, querendo restaurar poder ao imperador.  Isso gerou diversos conflitos. Entre alguns que podemos registrar aquicom relevante importância estão:
-Bombardeio de Kagoshima ou Guerra Anglo-Satsuma (15 a 17 de Agosto de 1863): a Marinha Real Britânica teria bombardeado Kagoshima, em retaliação ao ataque de cidadãos britânicos. Acontece que um oficial japonês teria atacado estes homens devido ao não respeito à figura do daimyo. Algo incomum para pessoas, que não conheciam o costume daquele país.
-Incidente da Hospedaria Ikeda (5 de Junho do ano 1 da Era Genji, 1864): O Shinsegumi descobriu um plano dos monarquistas que visava usar uma noite de vento e incendiar Kyoto, já que e com esse clima as chamas se propagariam. Com isso, atacariam os homens importantes do xogum e sequestrariam o mesmo. Os isshin shiishi estariam preparando seus planos nas hospedarias Ikeda e Shikoku. Sabendo disso, precisando agir imediatamente e além de usar o fator surpresa, atacaram os conspiradores somente com os Lobos de Mibu, visto que o apoio não havia chegado. Como havia dois lugares, o grupo se dividiu em duas frentes. Ao sair da área do massacre, quando o dia amanheceu, estes homens foram lançados ao estrelato. Se antes eram tratados com medo devido as suas atitudes desmedidas, agora, além disso, eram admirados. Eram perigosos e extremamente hábeis. Até o bakufu se mostrou admirado com suas façanhas. Alguns relatos falam que o acontecimento causou um grande atraso na Restauração Meiji, devido à morte de importantes nomes naquela fatídica noite.
-Batalha de Toba e Fushimi (1868): Esse conflito ocorreu devido às tropas de Choushuu, Satsuma e Tosa se encontraram com tropas de Tokugawa, perto de Fushimi. Esta região é um bairro de Kyoto. Essa batalha ocorreu por quatro dias e se tornou uma dura derrota do xogunato.
-Guerra Boshin (1868 a 1869): Foi uma guerra civil no Japão que marcou o fim do xogunato Tokugawa. Os homens que eram fieis ao imperador se tratavam de uma força menor, mas relativamente modernizada. Isso era um fator bem importante, uma vez que o bakufu não recebia apoio dos estrangeiros. Visto que americanos poderiam lhe fornecer, por exemplo, armas de fogo. Na Batalha de Hakodate, o último resquício das forças, foi finalmente destruído. Com isso, Tokugawa perdeu qualquer poder sobre a nação.
Com a vitória dos monarquistas, o imperador subiu ao poder em 1867, com apenas quatorze anos. Em 1868 começava uma nova era; essa era foi declarada como Meiji. Muitos dos antigos senhores que foram contra o xogum, foram premiados através de posições governamentais, no novo regime. Aqueles que eram a favor de Tokugawa foram poupados, devido aos pedidos de SaigoTakamori. Este foi um dos grandes nomes do novo período.
Por fim, temos como conseqüência várias mudanças no modo de agir do Japão. Muitas pessoas começaram a seguir os padrões ocidentais de agir e vestir. Entre eles podemos citar a educação, economia, governo e até culinária. Além de proibir o uso de espadas, sendo que isso só era algo comum para os samurais. Só quem poderia fazer isso eram policiais devidamente treinados e licenciados. Ainda assim, o Japão continuou seguindo com sua cultura. Mantendo uma grande fidelidade aos seus antigos costumes e ainda assim, se modernizando.

P.S.: Muito obrigado para Deborah Bedento que meu deu alguns toques sobre o texto.