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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O Japão vai sumir?

No ano de 2024, o Japão registrou quase um milhão de mortes a mais que nascimentos - a maior queda populacional anual, desde que o governo começou a medir em 1968.
O primeiro-ministro Shigeru Ishiba chama isso de "emergência silenciosa" e promete políticas pró-família, como creche gratuitas e horários de trabalho mais flexíveis.
Mas as medidas, até agora, não surtiram efeito. Custos de vida altos, salários estagnados e uma cultura de trabalho rígida afastam os jovens da ideia de ter filhos.

sábado, 9 de novembro de 2024

Pinóquio e Astro Boy: os personagens que nasceram da morte e do luto

Podemos falar que ambos os personagens surgem do luto. Crianças normalmente são frutos esperados ou inesperados, mas vindas de um nascimento. E já notamos que eles surgem das consequências da morte, devido a não envelhecerem.
Isso se deve por não serem feitos de carne e osso. Astro feito de metal e Pinóquio de madeira. Sem contar que não foram criados com amor, mas sim pela tragédia pessoal de seus "pais" e pela ausência do sentimento amoroso para ser correto. 
Na história de Astro Boy, criada por Osamu Tezuka, vemos uma sociedade altamente avançada, onde homens e robôs coexistem. Um cientista e seu promissor filho tem um trágico fim em seu relacionamento, quando o garoto, Tobio, sofre um terrível acidente. O pai, Tenma, fica com um vazio gigantesco em sua alma. Cruzando os limites do que seria comum, para ter de volta sua progênie, através da tecnologia.
Gepeto, na outra história, um carpinteiro, usa sua habilidade para recriar seu filho. Mas ao criar um filho, por meios mágicos, tem a frustrante descoberta que ele não é nada parecido com seu falecido rebento. Uma criança nova, que era feita de madeira, que nasceu em instantes, e tem a ingenuidade de um garoto daquela idade. 
Astro e Pinóquio não são aceitos completamente pelos seus respectivos pais.
Entretanto, Tenma se livra de Astro. Enquanto Gepeto tenta cuidar de seu filho, mesmo que com dificuldade. 
Quem se torna pai de Astro, é um outro cientista, que não foi Tenma, que o trouxe a esse mundo. Já Gepeto cria Pinóquio, pois entende que não terá seu filho biológico de volta. Mas seu filho de coração, necessitava dele.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Como seria como pai?

Hoje é dia 12 de Outubro de 2020. E como tal, é o dia especial para as crianças. E então eu revisitei minha vida de criança.
Quando criança, meu acesso a TV era restrito. Assistia alguns desenhos que amava como Caverna do Dragão ou Eek The Cat, pois era o mais acessível para mim. Afinal, não tinha televisão a cabo e comecei a assistir fitas VHS bem no final da vida útil desse aparelho. Além disso, eu assistia os seriados japoneses como Espectroman, Jaspion, Changeman, Flashman, Lion Man, entre tantos outros. E como esses eram com atores reais, eu acreditava que aqueles eram reais. Coisa de criança mesmo...
Entretanto, de todos esses desenhos animados e séries japonesas, as que mais amava eram Cavaleiros do Zodíaco e Black Kamen Rider.
A primeira é fácil de conhecer. Ele foi uma febre nos anos 90, que basicamente fez o Brasil ser um país cheio de fãs da cultura pop japonesa. A história não era uma coisa altamente elaborada. Tratava-se de jovens, que combateriam um mal, mas para isso deveriam proteger uma força divina em forma humana. Já veríamos isto isso em Shurato, Samurai Warrior e até mesmo antes disso, como em Hokuto No Ken. Entretanto, diferente das animações norte-americanas, essa série tem um fim. Mesmo que a extinta TV Manchete, reprisasse mais eles do que o SBT reprisava o Chaves. Pois finalmente, a emissora tinha algo para combater a Globo. Pelo menos no campo infantil.
Já Black Kamen Rider é mais pesado que qualquer tokusatsu. Ao invés de ser um metal hero (como Jaspion ou Sharivan), BKR era uma série com estilo próprio, com temática mais pesada. Ao menos em sua origem, enredo e clima. E isso era ótimo quando se é criança, a aura de terror que aquela série criava em mim, mais parecia que estava vendo algo proibido. Mal sabia eu que aquilo me traria vários problemas...
A minha mãe não me deixava assistir aquilo com tanta frequência. Um dos motivos, que faz mais sentido, é que eu perdia muito tempo assistindo animes e tokusatsus. Mas o outro motivo é que animes e tokusatsus eram coisas do Satanás, segundo a visão dela. Está bem que as séries não ajudavam (Satan Goss em Jaspion, Lúcifer em Cybercops, entre outros nomes), mas isso era sem motivo, quando notamos Cavaleiros era baseada na mitologia grega e outras culturas e nada tinha a ver com a mitologia cristã. Só que era uma criança e adolescente, não sabia argumentar.
E hoje, ao assistir novamente algumas dessas coisas, eu digo: eu NÃO deixaria um filho meu assistir coisas assim. 
Não é uma questão de "Ah eu sou hipócrita". Mas de ter evoluído e notado, que muitos dos seriados eram altamente violentos. E hoje em dia só pioraram. Em Genocyber, que passou na U.S. Mangá na época em que era uma criança, tinha umas dilacerações e transformações tão bizarras que eram dignas de Hellraiser. Eu não impediria meu filho de assistir pois era "do capeta", mas por ser inapropriado para a idade dele. Quando fosse o momento, eu passaria isso a ele, na hora certa. 
Mas não tenho filho. Talvez não tenha nunca. Eu antes queria muito me casar, constituir família. Hoje, com a cabeça feita, eu quero só ajudar os mais jovens. Já tive algo próximo de filhos.. Mas as vezes a única coisa que podemos passar adiante é o conhecimento do que aprendemos e do que erramos na vida. E nem sempre para alguém que continuará nosso legado.