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sexta-feira, 12 de maio de 2017

A gênese dos quadrinhos

Os quadrinhos (ou histórias em quadrinhos) são algo antigo. Até mesmo na Pré-História podemos imaginar a arte rupestre dos homens no período Paleolítico e Neolítico (Idade da Pedra Lascada e Idade da Pedra Polida) como uma forma de contar histórias através de imagens. Talvez um pouco confuso, ainda assim, é uma tentativa.
Nos períodos posteriores, isso continuaria com descrições de grandes batalhas e acontecimentos históricos ou mitológicos em várias pinturas e artes pelo mundo antigo e medieval. Passando pelo Egito, Roma, atravessando o surgimento do cristianismo, atingindo a Europa. Passando por todos esses períodos chegamos ao século IX.
Nele, temos algo próximo do que seriam essas histórias quadrinizadas. Com o Yellow Kid (Garoto Amarelo em uma tradução literal) que surge em 1855, como a primeira história, colocando os balões de narrativa. Um modo novo, para a época, visto que até então não se usava desenhos desse modo. Criando diálogos entre os personagens. Lembrando que a primeira casa de quadrinhos assim foram os jornais. E isso mais tarde, se tornaria uma leve lembrança com as tiras de quadrinhos de hoje em dia.
Esses quadrinhos vão sendo incorporados em diversos jornais por um longo tempo, até o final da década de 20. Aqui ocorre o famoso Crack da Bolsa de Nova Iorque. Quando a bolsa de valores tem uma quebra tremenda. Lembrando que nessa época, a cidade já era conhecida por ser uma das mais importantes em termos econômicos dessa época.
Talvez esse clima mais pesado tenha sido um dos fatores do surgimento de novos quadrinistas. Ao invés de só mostrar coisas cotidianas ou pequenas piadas simples, muitos deles começaram a enveredar por um novo caminho. Sem contar que muitos viviam um período turbulento com o surgimento de regimes totalitários em outros países.
Um personagem que surgiu devido a tudo isso foi Flash Gordon, criado por Alex Raymond. Podemos falar que esse seria um dos primeiros heróis das HQs. Uma ficção científica com elementos que seriam incorporados não somente aos quadrinhos, mas também a séries, filmes, músicas, rádios e tantas outras mídias atuais. A viagem ao espaço, regimes totalitários, entre outras coisas, são marcas desse personagem e todo seu elenco.
Chester Gould criaria o detetive Dick Tracy, em um contexto de gangsters. Usando elementos parecidos com os dos mafiosos como Al Capone, além da Lei Seca. Essa lei foi seguida à risca nos Estados Unidos, e usado muito na narrativa de Gould.
Sem contar talvez o primeiro personagem de livros, incorporado aos quadrinhos: Tarzan. Hal Foster adaptou o personagem de uma série clássica, escrita por Edgar Rice Burroughs. O garoto foi acolhido pelos macacos e se tornou um protetor das florestas africanas, mesmo sendo um lorde inglês. As edições dele fizeram tanto sucesso, que um dia, Edgar fez livros falando sobre o filho dele. Ou seja, já era uma receita de sucesso.
Lembrando que até a década de 30, esses heróis que surgiram eram pessoas normais. Ou seja, não tinham super-poderes ou eram vigilantes. Não possuíam uniformes, muito menos fantasias espalhafatosas.

O primeiro que conhecemos desse modo, seria o Fantasma (ironicamente, seguindo uma temática mais africana, assim como Tarzan), criado por Lee Falk. Esse mesmo cara criaria a história de outro personagem conhecido como Mandrake

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O início dos mangás


Muitos nem devem imaginar como surgiram os mangás. Porém, assim como os quadrinhos, sua origem se deve a algo bem mais simples. E mais artístico. 
Os primeiros gêneros de registros com formas desenhadas criando histórias eram os "emakimonos". Pergaminhos com papel de arroz, em longos rolos. Normalmente retratavam animais antropomorfizados, representando o comportamento de classes sociais da época.
Na Era Edo, graças à intervenção do xogunato, houve um grande investimento na área artística. Entre uma das principais formas de expressão desse tipo foi o ukiyo-ê. Pinturas que utilizam uma espécie de criação parecida com a xilogravura. Seus temas eram dos mais diversos tipos em que retratavam os dias dos japoneses, a vida boemia, as gueixas, os bordéis, performances e lendas antigas, entre outras coisas. Alguns deles possuíam diálogos, que seria um modo antigo de como seriam as "caixas de diálogos" das HQs. 
Katsushika Hokusai, artista da época famoso por obras como Kanagawa Oki Nami Ura (A Grande Onda de Kanagawa), foi o primeiro a usar o termo "mangá", que significa "rascunhos livres e inconscientes", para nomear seus desenhos de personagens caricaturados. Esses desenhos, em sua maioria, retratavam de forma bem-humorada a vida social no Período Edo. Muitos destes desenhos foram reunidos e compilados no que foi denominado Hokusai Manga, um de seus principais trabalhos.  
Em 1853, com a chegada do almirante Mathew Perry ao Japão, e a abertura dos portos do país, houve uma grande entrada de material estrangeiro. Incluindo aqueles mais gráficos e artísticos. Isso demonstra o fim da Era Edo e o começo da Era Meiji.
Os mangás, como nós conhecemos mesmo - mas ainda mais em um estilo mais satírico - viria em 1862. Com o inglês Charles Wirgman, artista, ilustrador e cartunista, lançou a revista Japan Punch, que geralmente satirizava as figuras públicas, criando um novo gênero de humor na época. Lembrando muito algumas tiras de jornais americanas.
Pouco a pouco, dentro do Japão, parte por influência das obras americanas e inglesas, os mangás foram tomando formas. Inclusive as editoras como DC e Marvel, até mesmo a Disney.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O que representa o Batman para mim. E o motivo dele, não matar.



Bem o Batman criado por Bob Kane matava. Tanto que o primeiro grande vilão dele, Dr. Morte, foi sua primeira vítima. Lá nos Anos Dourados dos quadrinhos (anos 50 e 60), porém, com o avanço das editoras, passando pelos Anos de Prata, muitas mudanças ocorreram. Especialmente pois nos anos 70 os escritores e desenhistas viajavam muito na história. Isso ficou solidificado com Crise nas Infinitas Terras. 
Nessa saga o Batman foi estabelecido com vários fatores que perduraram. Entre eles seu ar mais sombrio, um lado mais de detetive. E acima de tudo NÃO MATAR NEM USAR ARMAS DE FOGO.

Isso fica ainda mais claro em HQs como Ego, no qual Bruce Wayne vê o seu alter-ego como um fantasma que lhe assombra, sendo que se ele usasse armas poderia salvar mais vida. Mais ai, ele pensa como seu pai, Thomas Wayne, um médico, seria plenamente contra isso. Isso quebraria todo o legado do Batman.
Até mesmo em graphic novels como a aclamada de Grant Morrison, Asilo Arkham, ele entra dentro do instituto e não mata ninguém. Pois acima de tudo, ele não quer se igualar a ele.
Ou quem sabe os jogos da WB como Arkham Asylum, Arkham City, Arkham Origins e Arkham Knight, mostra que ele é muito mais que um herói. Um mito. Uma coisa inalcançável. Ou talvez algo difícil pois ninguém alcançaria o grau de sua força. Ao ponto de sua herança continuar mesmo após sua “morte”.
Nos filmes, até os com Tim Burton na direção, o Batman (interpretado por Michael Keaton) chegou a matar. Quando ele joga o bandido que viria a se tornar Coringa (interpretado por Jack Nicholson) no tonel, é visível um ar de derrota pois ele não queria isso. Sim, tem um monte de explosões e acontecimentos sem previsão, mas pode ter certeza que são coisas que o Batman faria sempre com algo que no máximo nocautearia ele.
Prova maior disso é a obra de Nolan, Batman Begins, Batman Dark Knight e Batman Dark Knight Rises. Ele deixa o Coringa vivo! Um sociopata, que quase fez um genocídio na cidade. Que conseguiu corromper o espírito de Harvey Dent! Mesmo com Bane que quebrou seu orgulho (e costelas) ele ficou mais preocupado com a cidade, que não aproveitou e tentou matar o vilão. O espírito do personagem sobrepuja sua raiva. Aliás, essa cena é praticamente uma homenagem a saga A Queda do Morcego.

Pode até falar do filme de Zack Snyder, Batman v Superman: O Despertar da Justiça. Mas lembre-se: essa é uma interpretação do diretor. Válida e boa, mas ainda assim, a quantidade de ofensas que o Zack escuta é imensa.
Assim como amo o personagem Homem-Aranha, amo o personagem Batman. Tenho várias sagas dele. Ele não é um símbolo de realidade. Mas de como a justiça deveria ser, uma utopia para muitos de nós. Eu nem ligo quando falam de história para mim e ignoro muitas vezes sobre outras coisas. Mas HQ... Isso é meio que sagrado. Lembro que minha primeira revista foi A Teia do Aranha número 103 na horrível Saga do Clone. Minha última foi Guerras Secretas 2 e 3 que são horríveis, mas poderiam ter sido tão melhor. Meu senso crítico quando a isso é chato.



sexta-feira, 29 de julho de 2016

Um Jogo de Você


O Senhor dos Sonhos é um dos mais perigosos irmãos...
É tão difícil falar sobre um personagem tão rico e complexo... Sinto-me até com medo de escrever alguma coisa errada. Lembrando que seu mero surgimento mostra uma gama infinita e maravilhosa de personagens nesse universo. E até mesmo em outras revistas do selo DC (lembrando que a Vertigo seria uma divisão de histórias com conteúdo mais adulto).
Não me entendam mal. Um dos quadrinhos da Vertigo que mais adoro é Os Livros da Magia. E uma das histórias mais famosas da linha é a de John Constatine, em Helblazer. Tanto que esse último
originou o filme Constatine. Porém, antes de qualquer coisa, mas antes de qualquer coisa vale nos lembrar da história de Sandman: ele é um dos Perpétuos ou Sem-Fim, seres superiores até aos deuses que representavam aspectos dos seres humanos. São eles Morte, Desejo, Delírio, Destino, Desespero, Destruição e Sonho (em inglês, todos os nomes começam com a letra D). E como tal seu reino é o Sonhar. Sua aparência muda de acordo com a cultura, podendo ter várias formas dependendo de quem o observa (apesar de que pra mim, Neil Gaiman se inspirou em Robert Smith, vocal do The Cure).
Aqui no Brasil foram publicadas pela Editora Globo e pela Devir. E em sua lista de inimigos e personagens que fizeram parte de sua cronologia estão Lúcifer Estrela-da-Manhã (sim, o Capeta em pessoa!), Etrigan, John Dee (inimigo da Liga da Justiça), John Constatine, Orfeu (o da lenda grega mesmo), Timothy Hunter, Willian Shakespeare e tantos outros famosos (de carne e osso ou não).
Mas na verdade, Neil Gaiman criou esse personagem para ficar no lugar do Sandman original que surgiu na Era de Ouro dos quadrinhos. Que nada mais era um herói que usava máscara de gás e uma arma que induzia ao sono.
Os Perpétuos: algumas inspirações em figuras
pops da época e de que Gaiman gostava.
E ai que entra a idéia da saga que mais gostei dele e da Vertigo, Um jogo de você.
Nele Barbie mora em um apartamento apertado e sempre esta sem dinheiro, além de usar um visual estranho para algumas pessoas. Porém, quando dorme, ela talvez seja a última esperança de seres fantásticos contra uma criatura chamada simplesmente de Cuco. Esse mundo recheado de seres mágicos, parece algo vindo da imaginação de uma criança, mas que  contem um grande perigo. A história tem um ritmo que somente Gaiman consegue colocar, e encaixar Morpheus de modo brilhante. Além de ser aqui que é introduzida uma personagem chamada Thessaly, uma poderosa maga ancestral (ou bruxa, as vezes me confundo com tanto estereótipo de personagens...).
Tirando as artes das capas de Dave McKean, uma obra de arte que me faz querer ter muito Capas na Areia.
As obras da Vertigo, como disse, antigamente (BEEEM ANTIGAMENTE) eram publicadas aqui pela Editora Globo e pela Devir. Não sei mais se isso continua (no caso se ainda são publicados pela Devir) nos dias de hoje, mas é bom saber que sempre tivemos obras tão boas na banca da esquina. Ou no caso hoje em dia, em sebos. Tanto que tenho a última revista desse arco de um lugar que penerei aqui mesmo em Santa Isabel! Vê se pode.
Entretanto, certamente o que mais me tocou nesse conto de fadas de Gaiman (e digo isso de uma forma literal) foi a fala de Bárbara (Barbie) de frente ao túmulo de sua amiga Wanda, um homossexual que morreu na história:
“Bem... Todo mundo tem um mundo secreto dentro de si. Todo mundo. Todas as pessoas do mundo inteiro.. Não importa quantos sejam chatas ou sem graça por fora... Por dentro todas elas tem mundo inimagináveis, magníficos, maravilhosos, estúpidos, fantásticos... Não apenas um mundo. Centenas deles. Milhares talvez.”
E em homenagem a minha amiga Milla, coloco uma das frases que ela mais curte referente a Delírio, a irmã mais nova de Morpheus...











"Quem pode saber o que Delírio vê através de seus olhos desiguais?"

quinta-feira, 17 de março de 2016

O primeiro livro de uma criança


Os primeiros escritos que tive o interesse de ler em toda a minha vida foram quadrinhos. Coisas como as obras de Maurício de Souza ou as tira de Bill Watterson eram e são meu principal entretenimento. Isso ocorre já que para crianças, essas páginas recheadas de balões e desenhos, são seus primeiros livros.
E então é que me revolto com certos pais, quando reclamam da garotada que lê mangá dizendo que “é inútil”. Não estou aqui para falar só dos meus sentimentos em relação aos meus anos de criança, nem quero que as crianças se afundem em um mundo de quadrinhos, as alienando, e sim que saibam distinguir fatos concretos sem uma mídia manipuladora e um governo mais justo.
Como professor, sei como é difícil introduzir garotos a um mundo de leitura. Possuímos uma educação precária que cria uma imensa número de semi analfabetos a cada ano. O que poderia ser remediado com modos mais eficazes de leitura. Ai que entraria o mangá e outros tipos de artes visuais.
Uma ideia louca me veio a cabeça falando com meu amigo Horn de levar essas obras nipônicas aos alunos em escolas públicas. Obviamente, só as mais recomendáveis. Poderíamos colocar nas mãos de um adolescente um volume de Rurouni Kenshin, que apesar de ser uma obra shounen recheada de batalhas com espadas, mostra vários aspectos culturais e históricos do Japão. Alguns até mais contemporâneos como Gen – Pés Descalços. Da mesma forma, seria possível trazer uma biografia como Adolf ou Buda, de Osamu Tezuka, ou talvez uma obra mais clássica desse mestre como A Princesa e o Cavaleiro.
Falo isso pois entendo mais de mangá, mas outras obras de cunho internacional e nacional serviriam do mesmo modo (como as de Will Eisner ou até mesmo Anita Costa Prado).
E um dia espero que uma leitura para um filho meu, seja um livro de Vida e Morte Severina ou quem sabe um Akira. E não um livro que não exerce nenhuma reflexão como Crepúsculo e suas continuações. Afinal, contos de fadas devem possuir “fadas”, não vampiros com “problemas em tomar decisões e atitudes”.

terça-feira, 1 de março de 2016

Existe quadrinho puro?

Osamu Tezuka tinha como inspiração, os desenhos de Walt Disney. Bastava ver os olhos grandes e a construção de desenhos.
Mas é engraçado saber que os rotulos continuam: mangás são quadrinhos japoneses, banda desenhada é quadrinho europeu e comic é quadrinho americano. Um quadrinho não pode ser definido tão facilmente hoje em dia. Vejas essas imagens e compare:
Gatas:
Masami Obari
Adam Warren
Ainda assim seus trabalhos influenciam muitas vezes, uns aos outros. Como no caso de Adam Warren. Você vê que mesmo usando traços diferentes o ilustrador tem tudo a ver com mangá em seu traço. Mas isso varia. Há também ilustradores americanos que influenciam os japoneses. Não são muitos mas existem sim esses.
Amassos/Sexo
U-Jin
Frank Miller
A verdade é que nenhum desenhista ou ilustrador esta longe de usar uma referência (Capitão América pira nisso!) em suas obras próprias. Só notar que muitos são fãs de determinado personagem do outro lado do mundo. Exemplo? Kia Asamiya e Masakazu Katsura que adoram o Batman. E esse personagem esta inserido em suas obras. Ou o Roger Cruz... Que na verdade é brasileiro, usa traços baseados em mangás e é conhecido no mercado americano. Uaauuuu! O mistureba!
Ação/Robôs
Kenichi Sonoda
Frank Miller
Engraçado isso do povo não gostar de um estilo e não do outro. Não é? Talvez tenha sido por animes muitas vezes puxarem muitas vezes para um erotismo ou terem intermináveis fillers. Porém, os americanos também estão nesse naipe. Como por exemplo as histórias sem fim da DC e Marvel, ou a falta de mão de alguns ilustradores americanos como Rob Liefeld.
 Policial
Hojo Tsukasa
Will Eisner
Lembrando que em ambos os mundos temos grandes astros e verdadeiros pais dessas artes como no caso de Osamu Tezuka e Will Eisner.
Pancadaria/Demônios
Todd McFarlane
Norihiro Yagi